O Brasil acaba de alcançar um marco histórico no setor agrícola: tornou-se, pela primeira vez, o maior exportador de algodão do mundo, ultrapassando os Estados Unidos, país que tradicionalmente liderava o ranking global. A conquista ocorreu na safra 2023/24, muito antes da meta inicialmente projetada para 2030.
Segundo dados da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), a produção brasileira de algodão beneficiado (pluma) nesta safra chegou a 3,7 milhões de toneladas, com 2,6 milhões de toneladas destinadas à exportação. Esse volume representa uma participação de 30,5% no comércio mundial da pluma, superando a fatia norte-americana, que historicamente ocupava o primeiro lugar.
Essa virada histórica foi confirmada durante a 75ª Reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Algodão e seus Derivados, realizada na Bahia, e também repercutida no evento Anea Cotton Dinner, promovido pela Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea). A notícia fortalece a imagem do Brasil como potência agrícola, não apenas em grãos, mas agora também no mercado têxtil global.
O presidente da Abrapa, Alexandre Schenkel, ressaltou que esse resultado não foi fruto de uma obsessão por ranking, mas de um trabalho contínuo de melhoria de processos, rastreabilidade, qualidade e sustentabilidade. “A liderança no fornecimento mundial da pluma é um marco histórico, mas não é uma meta em si. Antes disso, buscamos sempre entregar um algodão de alta qualidade, sustentável e competitivo”, afirmou.
A conquista também reflete a eficiência da cadeia produtiva do algodão brasileiro, que alia tecnologia no campo, boas práticas agrícolas e uma logística de exportação cada vez mais eficiente. Além disso, o setor tem investido fortemente em programas de certificação e rastreabilidade, o que reforça a confiança internacional na origem do algodão brasileiro.
Os principais destinos das exportações brasileiras de algodão são a China, Vietnã, Bangladesh, Turquia e Paquistão. Esses países reconhecem a qualidade da fibra brasileira e respondem por grande parte da demanda global, especialmente no setor têxtil.
Mesmo com os desafios logísticos e de custos, o Brasil mostrou capacidade de organização e competitividade, escoando quase toda a produção da última safra em apenas nove meses. Esse ritmo confirma que o país está preparado para manter sua posição de destaque no cenário internacional.
A liderança global nas exportações de algodão consolida o Brasil como uma referência em produção agrícola de alto desempenho. É uma conquista que deve ser celebrada por toda a cadeia do agro, que mostra mais uma vez sua força e capacidade de inovar.
